Corretores de imóveis. Eles são peças indispensáveis nas negociações imobiliárias. Para saber como anda essa profissão no Brasil, o Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) realizou durante dez meses uma pesquisa profunda sobre os corretores de imóveis brasileiros. Para isso, a instituição investiu cerca de R$ 2,5 milhões. Durante o recenseamento, descobriu-se que hoje há mais mulheres trabalhando como corretoras (20,24% dos profissionais que atuam são do sexo feminino), o nível de escolaridade está cada vez mais alto e há mais profissionais autônomos. A pesquisa também apontou aumento no número de corretores atuantes e uma mudança na faixa etária: a média, hoje, é de 46 a 55 anos.
Praticamente um terço dos profissionais possui sua própria empresa imobiliária; outro terço presta seu serviço a empresas; a parte restante é autônoma.
Apesar de possuírem bens de valor, 30% dos corretores não têm acesso à internet. “Esse é um dado importante para o Cofeci colocar em prática a estratégia de inclusão digital dos corretores”, diz o presidente do Cofeci, João Teodoro da Silva.
“O último censo foi realizado há quase dez anos e não era tão preciso quanto este. Neste, entramos em contato com corretores em todo o país para que eles respondessem aos nossos questionários”, explica João Teodoro. “Para nós é muito importante esse levantamento de informações.”
Profissionais mais preparados
A pesquisa também apontou que cerca de metade dos corretores de imóveis tem nível superior e 50,97% têm curso de técnico em transações imobiliárias – o curso exigido para a concessão do registro profissional. Isso indica investimento em qualificação profissional, um reflexo da política de valorização da classe, adotada pelo Sistema Cofeci-Crecis e pela exigências do mercado de consumo.
Para João Teodoro, a tendência é que o nível de formação seja cada vez maior. Ele também acredita que os cursos superiores formam corretores imobiliários diferenciados, sobretudo se a graduação for específica para o setor. “Existem, no Brasil, cursos muito sérios para formar corretores imobiliários”, conclui.
Em Brasília, de olho nessa mudança, algumas instituições de ensino já oferecem cursos de graduação voltados para corretores de imóveis. O Unieuro é um exemplo. Por lá duas turmas já se formaram no curso de gestão em negócios imobiliários. O coordenador de cursos tecnólogos da instituição, Wilson Lopes, ressalta que o corretor de imóveis atual não é mais simplesmente um vendedor . “O profissional de hoje é de alto-padrão, ele passou a ser um consultor imobiliário. Hoje é um sujeito de bom nível, e o TTI é simplesmente o ponta pé inicial para a profissão.”
Quem são estes profissionais
No Brasil, somente o corretor de imóveis é autorizado a intermediar transações imobiliárias. A profissão é reconhecida e regulamentada por legislação nacional desde 1962. Além do proprietário do imóvel e do corretor imobiliário, ninguém mais pode oferecer negócios nesse segmento dentro do território brasileiro. Qualquer manifestação diferente pode ser denunciada ao sistema Cofeci-Crecis.
Para ser corretor de imóveis é preciso estudar, ter formação específica e licença concedida pelo governo federal para trabalhar. O registro profissional do corretor de imóveis chama-se Creci. Essa habilitação deve ser exigida pelo cliente sempre que um profissional se apresentar como um intermediário em transações imobiliárias.
O corretor de imóveis e a imobiliária devem estar qualificados para compreender as necessidades do cliente, avaliar as possibilidades do mercado, fornecer com clareza todas as informações necessárias às partes interessadas, e acompanhar a negociação até seu desfecho.
Fonte: Engenho Comunicação com Jornal da Comunidade (Brasília-DF)